Entrevista: Marina Ávila – Capista

Arquivo — Publicado originalmente em dezembro de 2011


No universo dos livros, a capa é o primeiro convite à leitura. Por trás de cada projeto gráfico que nos encanta nas livrarias, existe um profissional que une sensibilidade literária e talento visual: o capista. O Viajando nos Livros teve o prazer de conversar com Marina Ávila, uma designer que vem se destacando no mercado editorial brasileiro pelo seu olhar único e apaixonado pela literatura.

Como você começou sua carreira como capista?

Sempre fui uma leitora ávida e, desde cedo, me interessei pelo design gráfico. A união dessas duas paixões aconteceu naturalmente. Comecei fazendo trabalhos freelancers para pequenas editoras, criando capas para livros independentes. Fui aprendendo na prática, estudando muito e construindo um portfólio. Com o tempo, fui ganhando a confiança de editoras maiores e pude me dedicar exclusivamente a essa profissão que tanto amo.

Qual é o seu processo criativo ao desenvolver uma capa?

Tudo começa com a leitura atenta do original. Preciso mergulhar na história, entender seus personagens, seu tom e sua atmosfera. Depois, tenho uma conversa com o editor para alinhar a visão editorial. A partir daí, começa a fase de pesquisa: referências visuais, estudos de tipografia, composição. Geralmente faço vários esboços até sentir que encontrei o caminho certo. A capa precisa contar algo sobre o livro, despertar a curiosidade sem entregar tudo.

Quais são suas maiores inspirações?

Busco inspiração em muitas fontes. A arte contemporânea, a fotografia, o cinema e o design editorial são grandes referências. Admiro muito o trabalho de capistas internacionais como Chip Kidd, que consegue sintetizar uma história inteira em uma imagem poderosa. No Brasil, temos profissionais brilhantes que me inspiram diariamente. A tipografia também é uma paixão à parte — uma boa escolha tipográfica pode transformar completamente uma capa.

Que conselho você daria para quem quer seguir essa carreira?

Leiam muito! Um bom capista precisa ser, acima de tudo, um bom leitor. Estudem design gráfico com profundidade, mas não se limitem a ele. Construam um portfólio variado e não tenham medo de começar com projetos menores. O mercado editorial está sempre aberto a novos talentos que tragam frescor e originalidade. E, acima de tudo, tenham paciência e persistência — a construção de uma carreira sólida leva tempo.

Onde podemos acompanhar seu trabalho?

Atualmente, compartilho meus projetos e bastidores pelo meu portfólio online e também pelo Instagram. É um espaço onde mostro um pouco do processo criativo, as capas que mais me marcaram e também converso com outros apaixonados por livros e design.

Agradecemos imensamente à Marina pela generosidade em compartilhar sua trajetória e seus conhecimentos conosco. Que essa entrevista inspire nossos leitores a olharem com ainda mais carinho para as capas dos livros que chegam às suas estantes!